segunda-feira, 2 de maio de 2011

“Competitividade nas Exportações e Gastos Públicos”
Os que apreciam caminhadas preferem trilhas, mais seguras e conhecidas para atingir o objetivo. Caminhos alternativos embutem riscos desconhecidos . Muitos tem-se preocupado com o novo caminho que a economia brasileira tem trilhado, nos últimos anos, por meio da crescente exportação de primários, enquanto importa volumes crescentes de manufaturados, substituindo a produção local. Países hoje já desenvolvidos ou consolidaram sua economia exportando primários, em uma primeira fase, acumulando divisas, para ganhar competitividade na exportação de industrializados e finalmente exportar serviços, ou investiram fortemente em recursos humanos, adquirindo capacidade tecnológica para importar matérias primas, adicionar valor e exportar o produto final com maior valor agregado. Não temos ciência de um país que atingiu o desenvolvimento sustentado exportando primários, em detrimento da sua indústria. Prova disso é o que tem ocorrido com a participação da exportações brasileiras nas exportações mundiais (1): a) em 1950 o Brasil participava com algo em torno de 2,5% das exportações mundiais, por volta de 90% de primários; hoje por volta da metade daquele índice, cerca de 1,3%; b) Do total exportado em 1964 cerca de 85% eram básicos, taxa que declinou, como esperado, para cerca de 22% em 2005, graças ao aumento da participação dos manufaturados e semi-manufaturados e c) De 2006 para cá esta situação inverteu-se, passando os produtos básicos a 42% do total exportado em 2008. Tome-se por exemplo o caso da China com a qual foi firmada uma “parceria” pelo governo anterior (2004): de um lado fortaleceu o Fluxo de Caixa ( curto prazo) do país, elevando as reservas externas, com a forte exportação de básicos, por outro criou problemas estratégicos a longo prazo para nossa indústria exportadora, dado que este país tem fechado seus mercados para nossos manufaturados, alegando ter um baixo custo de fatores relativamente ao Brasil. É “claro como cristal” que parte significativa da competitividade chinesa deve-se não apenas a uma larga oferta de mão de obra de baixo custo relativo ( trabalhadora incansável, sim, porém remunerada abaixo do mercado devido aos restritos salários e direitos sociais) e uma parafernália de subsídios (fiscais e financeiros, diretos e indiretos), além de um câmbio artificialmente depreciado, práticas não condizentes com uma “Economia de Mercado. Uma frase atribuída a Deng Xiaoping, ex-líder do regime chinez dá alguma pista: “It doesn´s matter if a cat is black or white, so long as it catches mice”. Já a alegada falta de competitividade de alguns segmentos exportadores da indústria brasileira tem explicação em uma série de fatores que atingem com menor intensidade nossos parceiros comerciais. As causas são de origem interna, a exemplo do “custo Brasil” (elevada carga tributária, altos juros reais, deficiente infra-estrutura de transportes, entre outros, onerando os custos de produção) e externas, como a valorização do real em função da queda contínua do dólar nos mercados desde 1971, com a quebra de Bretton Woods e a recente valorização das commodities ( em grande parte inflada por desenfreada especulação financeira internacional). As causas externas citadas têm sido importantes para explicar a valorização cambial do real, a qual tem sido agravada ainda pelo diferencial de juros reais pagos pelos títulos públicos brasileiros ( atrai capitais especulativos para a renda fixa) e pela redução do risco Brasil ( expectativa positiva com a exploração do pré-sal e o bom desempenho da exportação de primários). Já foi dito que esse fenômeno parece semelhante ao que ocorreu com a Holanda nos anos 60 quando a descoberta de petróleo valorizou o florim, permitindo ganhos em divisas por um tempo, mas prejudicando a competitividade industrial no longo prazo. De forma análoga febre alta que não cede (juros reais elevados no Brasil) indica que o paciente ( a economia) sofre de uma virose; a prescrição é perder gordura, criar anticorpos e reforçar a musculatura. Parte crucial do tratamento desse paciente passa pela retomada das “Reformas de Base” ( Fiscal, previdenciária, etc.). Para sustentar os gastos públicos no Brasil “arrecada-se anualmente 35% do PIB, mais do que nos EUA (24%), na Suíça (30%), no Reino Unido (34%) e nos emergentes abaixo de 25% do PIB (2). Urge reduzir o peso do Estado para desonerar as exportações da indústria, assim restaurando a competitividade exportadora nos produtos de maior valor agregado. Elevar impostos é o mesmo que “matar a galinha dos ovos de ouro”, um final já conhecido, além de estimular a informalidade. O chamado “Consenso de Washington”, concebido, nos anos 80, pelos mais desenvolvidos ( Inglaterra e EUA), receitou a redução do tamanho do Estado e da carga fiscal (entre outros pontos) como aspectos críticos para restaurar a competitividade do setor privado na economia. Os países que não fizeram o seu dever de casa, desde então, a exemplo da Grécia, Irlanda e Portugal, com taxas acima de 80% de Dívida Pública Interna sobre o PIB, hoje estão sendo penalizados e considerados risco especulativo pelos investidores e financistas internacionais, necessitando até recorrer a fundos institucionais. O capitalismo financeiro (enquanto não regulado) têm ditado regras. Capitais buscam países de menor risco e melhor perspectiva e seus gestores são formadores de opinião, influenciando os credores e investidores. Tanto o setor público como o privado tem que ser viáveis para a economia ser competitiva e criar riqueza na Economia do Conhecimento. Tem havido boas intenções e esforços governamentais nesse sentido, a curto prazo, entretanto decisões políticas estruturais são determinantes para alcançar os resultados desejados a longo. (1) MDIC - Ministério do Desenvolvimento. (2) NOBREGA, Mailson. Tributos: menor independência ou morte. São Paulo: Revista Veja, março 2011. P.26.

João Francisco de Aguiar
Economista, doutorado em administração de empresas.

sábado, 25 de setembro de 2010

Decisão em ambiente de crise: aprendendo com o meio ambiente

“Decisão em ambiente de crise: aprendendo com a natureza”.

As quatro últimas décadas parecem indicar uma piora no humor dos mercados, como fruto de uma maior sucessão de problemas econômicos. Crises econômicas fazem parte da evolução cíclica do capitalismo, conforme as teorias dos “Ciclos Econômicos”.
A questão é que parece estar havendo uma maior frequência das crises nas quatro últimas décadas, iniciando com a quebra de Bretton Woods[1] em Agosto de 1971, ao decretar que o dólar não mais finalizando o padrão-ouro, piorando com a maior abertura e integração dos mercados, a partir dos anos 80; a exemplo da “Crise das Dívidas dos Emergentes anos anos 80”, da “Crise da Ásia” em 1997/98, da “Crise das Sub-Prime nos EUA em 2008/9” e da atual crise dos países mais fracos da Eurozona. Qual estratégia seguir neste ambiente sistêmico incomum? Peter Drucker dá uma boa pista ao destacar a “busca da sobrevivência a longo prazo” como o objetivo permanente das organizações.
A incerteza cobra preço alto, dos que se julgam espertos, haja vista às várias quebras de grandes grupos empresariais desde os anos 90. No Brasil estamos em épocas de investimentos na produção e isso é confortante, todavia o cenário externo mais complexo combina com o doméstico, onde a nau brasileira (a economia) tem velejado aos saltos, ao sabor das variações da Taxa Selic.
Em Maio começou um novo ciclo de alta, pois o timoneiro (BACEN) recolheu as velas mestras para refrear o crescimento da produção diante da excessiva demanda interna e fortes pressões inflacionárias. A subida dos juros poderia causar valorização do real, não fosse o mau humor inoculado na economia global.
Nessas horas, prever câmbio é temerário e arriscado. Andar “travado” (protegido) nas posições ativas e passivas é necessário. Deixar de ganhar algo é preferível a assumir perdas impagáveis a nível de caixa em épocas de crédito escasso, de banqueiros arredios e de agências de risco com os dedos no gatilho da reclassificação. O Brasil ainda está no degrau mais baixo da escada de risco, no grupo privilegiado do Grau de Investimento, o qual assegura nosso acesso aos capitais de investidores institucionais em melhores condições. Manter a posição é ainda mais difícil do que subir, uma vez que a empresa se vê diante de um dilema, pois uma vez que os fornecedores tenham sinal verde, o projeto não pode ser interrompido sob pena de pesados encargos financeiros. O que fazer então?
Em época de maré alta, boiar não é má decisão.
Certa vez, no saguão do aeroporto Santos Dumont (RJ), ouvi de um dos mais influentes (e bem sucedidos) empresários brasileiros atuais que “em época de mar revolto, o melhor é boiar”, deixe a nau vagar ao sabor das ondas e aguarde pela maré (menor risco) baixa. A história é rica em ensinamentos a esse respeito.
Arie de Geus[2], da London Business School e Sloan Schooll of Business (MIT) foi premiado pelo Financial Times PR por suas pesquisas com base na história das maiores empresas . Segundo ele, das 500 maiores empresas da Revista Fortune em 1970, cerca de 1/3 haviam desaparecido 13 anos depois, fato este que comprova que a busca, às vezes desenfreada, pelo retorno, tem seu preço!!!
O executivo viu as empresas como seres vivos, lutando pela sobrevivência, e destacou como bem sucedidas as longevas Stora Enso, finlandesa, de papel e celulose (1288) e os “Keiretsu” Suimitomo” (1590) e Mitsui (1697), poucas grandes entre 200 e 300 anos de idade e a maioria com menos de 200 anos, entre elas a General Electric.
Por meio da ótica “biológica”, De Geus mostra que os mais idosos foram conservadores nas decisões. No reino natural, os mais bem sucedido caçadores não sobreviveram por acaso, aprenderam a calcular o risco e traçar planos de ação, a exemplo de predadores, tais como: o tubarão e a orca, no mar; o urso, o tigre, nas florestas e o falcão nos ares. Seus estilos de luta pela vida tem a nos ensinar - por serem quase todos exímios estrategistas- .
Autores vendem o sucesso mágico a um clique do mouse, no “esfregar da lâmpada”, venda certa para os incautos. Todo sucesso requer trabalho duro. Acostumamo-nos a valorizar a história de vida dos bem sucedidos, mas não damos igual valor às lições de vida (e de sobrevivência dos derrotados), alguém valoriza os Vice-Campeões da F1? O risco acompanha o caminho estreito do sucesso, uma boa dose de cautela nunca pode ser desprezada.
Sobreviver vale a pena diante da volatilidade dos mercados. Na dúvida, sempre se deve também olhar pelo “retrovisor da experiência” e aprender com os erros dos demais.
[1] MOFFIT, Michael. O Dinheiro do Mundo. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1984.
[2] DE GEUS, Arie. The Living Company. Harvard Business School Press. 2002.

sábado, 24 de abril de 2010

AÇÕES: como começar ou analise fundamentalista ou investimento para novatos

Tenho mais de 30 anos de mercado, já ganhei e já perdi, em 1997 soube de um caso de um amigo que investiu R$ 300.000,00 nas melhores ações do mercado ( recomendação de um gerente de um grande banco bem intencionado, mas "ignorante" no mercado de ações); o pobre amigo aplicou em meados de 1997, com o tsunami da Crise da Ásia retirou R$ 50.000,00 logo depois, apavorado; ai para tentar recuperar entrou em opções e perdeu mais R$ 45.000,00. Seu noivado quase acabou e tomou uma lição da qual nunca se esquecerá. Se tivesse mantido a calma ( mesmo vendo 50% do que tinha evaporar-se diante dos seus olhos, hoje teria recuperado tudo e com folga, quando a ação cai e o investidor profissional acrdita compra mais, mas isso é para profissionais e voce não é um deles, por isso "be careful", ou como um conhecido do interior disse uma vez " não adianta fechar a porteira depois que a vaca escapou" !!!. Se "escapou" mantenha a calma, elas não irão longe. Sempr pode recuperar-se se as empresas investidas são boas, mas em um prazo bem maior, assim, CUIDADO COM O QUE FAZ E COM QUEM CONVERSA, sobretudo, muito cuidado com vendedores e corretores.

GRANDE LIÇÃO 1:
O mercado brasileiro está conectado com o exterior e tudo o que ocorrer fora afetará a bolsa de valores aqui. Se quiser ficar seco não saia na chuva e investir em ações é expor-se à chuva e contra a chuva inesperada não há como escapar. Em 2008-2009 dois grandes grupos "quebraram" por falta de caixa ao especularem com derivativos e fizeram uma "fusão forçada", na qual os antigos donos dos negócios agora ficaram minoritários !!!. O mundo atual está difícil até para os entendidos, por isso vá "experimentando" pelas beiradas, devagar, para não queimar sua língua. Não pude etapas. Dinheiro não leva desaforo !!!

GANDE LIÇÃO 2
Ações é renda variável, voce pode perder a maior parte e até tudo que tem por momentos ou dias ou meses ( por algum tempo e enquanto durar o conflito) se houver uma grave crise bélica. Ex. uma guerra no Oriente Médio/ Ásia, algo improvável à vista dos nossos olhos, mas está no campo das possibilidades no futuro.

GRANDE LIÇÃO 3
O primeiro passo para um novato entrar no Mercado de Ações é saber que "tudo se passa como se voce fosse começar um novo negócio", voce pode ganhar ou perder, por isso difere muito de aplicação am Caderneta de Poupança ( onde até R$ 20.000,00 as aplicações suas em depósitos a vista, conta de investimento e poupança estão garantidas por um seguro especial do sistema bancário, o FGC Fundo Garantidor de Créditos, valor de 2006).
Pensando em ações voce tem uma vantagem a favor, comprará uma pequena parte do Capital de uma empresa grande, geralmente com boas chances de ser bem administrada.
Ainda em 2010 ou 2011 espera-se que algumas ações de empresas norte-americanas a exemplo da G.E., Coca-Cola e outras possam ser negociados na BMF Bovespa, por meio dos seus recibos de depósito a serem emitidos pelo Deutshe Bank). Assim investir am ações deve ficar cada vez mais atrativo.
Agora voce ficou entusiasmado não é ? Como começar ?
Não queime etapas, todo cuidado é pouco. Uma receita de bôlo é a seguinte: faça de conta que voce está começando um jogo de crianças, aquele de "casinhas" que voce vai pulando e passando de fase ou voltando conforme cai em quadrados diversos. Acompanhe o seguinte menu.

3. 1. Separe a parte que não precisa das suas poupanças, por um prazo mínimo de 1 ano, exemplo no máximo 20 a 30%.

3.2 Comece a ler os jornais ( Economoa e PoLítica internacional e nacional e assista ao Canal Bloomberg) e se informar, se voce achar que os juros reais ( desscontando-se a inflação futura) tendem a cair voce terá um bom sinal de que os negócios tendem a melhorar, por consequência os preços dos ativos devem reagir positivamente ( ação é um ativo, assim será beneficiada). Quando os juros tendem a cair as prestações dos consumidores tendem a diminuir e eles compram mais; por outro lado os empresários tendem a tomar mais recursos emprestados para seus negócios e tudo começa a andar mais rápido, bom sinal para ações ( a situação é o contrário do que deve ocorrer a partir de maio de 2010 com a Taxa SELIC, de 8,75% ao ano, devendo subir para 9 a 10% até o final do ano). Se o mercado internacional estiver am paz, melhorando, digo, os pricipais mercados como EUA, CEE e China, tanto melhor ainda ( hoje a situação é oposta para EUA e CEE). Poranto hoje há muitos sinais contrários fora e dentro do Brasil para entrar em ações. De um tempo.

3.3. Se o item 2 for verdadeiro voce pode começar a colocar parte dos seus recusos em um fundo de ações e assim já começa a participar ( o fundo aplica seu dinheiro e de outras pessoas em muitas ações), escolha um grande banco ou grande corretôra. Outra alternativa é voce comprar quotas de fundos negociados na BMF Bovespa Ex. PIBB e BOVA 11. Há também o fundo de quotas de Small Caps ( empresas menores de maior risco) e Midlarge (médias e grandes), mas fique nos dois primeiros, PIBB ( acompanha o índice e é mais estável) e BOVA 11 ( Indice Bovespa)

3.4. Se 3.2 for falsa ( como agora é a tendência, de subida da taxa SELIC), é mais prudente que mantenha seus recursos na Poupança ou em um Fundo de Renda Fixa

3.5 Se 3.2 for verdadeira e se voce já passou pela experiencia 3.3 , então agora voce deve estudar mais profundamente os mercados externos e internos. Veja quais setores serão beneficiados pela retomada de crescimento e nesses setores escolha as duas melhores empresas. A seguir procure informações sobre a situação financeira, capacidade da administração e rentabilidade de ambas. Se ambas passam nesse teste procure saber dentre elas qual fará o maior plano de investimentos fixos, a que for investir mais, ex. considere esta a empresa A, esta reagirá mais devagar, talvez voce deva pensar em adquirir a outra, a B, que já tem capacidade produtiva suficiente para responder à expansão que vier de forma mais rápida, por estar mais líquida.

3.6 Veja a liquidez em bolsa, se ambas tiverem boa liquidez deve comprar a B; do contrário, se B não tiver boa liquidez, pode comprar A a longo prazo ou passar a examinar outro setor e suas melhores empresas, sempre buscando a empresa que não estiver para iniciar um grande investimento fixo e tenha boa liquidez e tenha mercado favorável. Outra dica é a seguinte: evite comprar ações novas, aumento de capital, em geral demoram mais a valorizar-se pois a rentabilidade da empresa tem mais chances de ser menor por algum tempo, nesta linha lembre-se: comprar ofertas de empresas novas ( recentemente lançadas ) é alto risco e retorno, mais ainda do que comprar as grandes, geralment são vendidas a preços muito elevados. A maior parte das que lançaram ações na bolsa pela primeira vez nos últimos anos tem dado resultados fracos, senão negativos.

Comprar ações requer análise e estudo, requer tempo de pesquisa e muita paciência, é como garimpar diamantes. Voce tem que peneirar muito para encontrar o retorno maior que deseja.

Último aviso: mesmo uma excelente empresa como Petrobrás pode ser mau negócio quando o preço sobre muito em relação ao seus lucros esperados para aquele ano e então fica parada ou cai, embora a longo prazo seja sempre bom negócio.

Como o surfista que pacientemente espera uma boa onda voce deve se comportar para fazer uma boa pontuação e " não morrer na praia".

Na dúvida procure uma boa corretora de valores, de preferência a ligada a um grande banco, nacional ou estrangeiro.

Bons investimentos a longo prazo ( acima de 1 ano, mesmo quando o país está em uma boa trajetória econômica e política, a situação do Brasil de hoje ).

João Francisco de Aguir
joaofranciscodeaguiar@gmail.com

domingo, 18 de abril de 2010

O que voce precisa saber em 2010

Tomando decisões financeiras em 2010

Este ano é atípico, impregnado de um certo otimismo econômico, em função de fatores conhecidos tais como a) Realização da Copa do Mundo de Futebol e b) um período eleitoral em que os gastos públicos geralmente aceleram-se. Assim este ano tem sido beneficiado por um crescimento econômico razoavelmente favorável, embora sobre uma base mais fraca que foi 2009. Neste ano civil, como era de se esperar tem havido um aquecimento da economia, com repercussões negativas na taxa de inflação que, neste início de ano, tem-se acelerado. .
Por outro lado tem havido uma piora dos indicadores macroeconômicos das contas externas ( saldo das transações correntes ) e internas ( déficit público sobre o PIB).
A estabilidade da economia ( e da inflação) é necessária, motivo pelo qual espera-se uma elevação das taxas de juros reais ( o excesso de pontos porcentuais da Taxa Selic esperada sobre a Inflação esperada) para 2010, iniciando-se um ciclo corretivo de alta a partir dos próximos meses.
Como a economia comporta-se tal fosse um transatlântico ( o leme vira muitas vezes para uma pequena correção da proa), o reflexo dar-se- á no final do ano e, de forma mais forte em 2011.
Em vista desse provável cenário como deverão comportar-se os credores e devedores ?
Se for um consumidor de bens a prazo de preferência a taxas de juros fixas ( elas devem subir, você pode conseguir um desconto), se for um devedor faça o mesmo e poderá ter alguma vantagem no resgate da dívida. Por outro lado, se for um credor procure taxas de juros pós-fixadas ( Ex. CDI + juros), o mesmo aplica-se caso você seja um aplicador.
Tenha cautela e bons negócios.